06/02/09

será que alguma vez nos sentimos sós?

Fala-se de solidão, estar só. Defendemo-nos com o velho ditado “mais vale só que mal acompanhado”. Refugiamo-nos nas quatro paredes (quem as tem), escondidos do resto do mundo, damo-nos ao prazer de atender ou não o telefone, de responder ou não às mensagens escritas que voam pelo ar. Ou então simplesmente desligamos o telefone.
Para nos sentirmos sós, connosco mesmo. Nós e o mundo. O nosso mundo, indivisível, nosso.

Quando o fazemos, numa tentativa louvável de higienizar as ideias, fazer um “reset” a tudo e a todos, pensamos. Pensamos em nós, deixamos os pensamentos fluir sem censura ou opiniões. Revemos isto e aquilo, massacramos os assuntos já passados, reencontramos pensamentos antigos.
Mas pensamos.
E muito.

Estamos sozinhos, não nos sentimos sós. Não confundamos as coisas.

Podemos ter saudade ou falta de companhia, de um sorriso sincero ou sentido, do toque dos dedos entrelaçados, do simples carinho no olhar terno.
Podemos ter saudade ou falta do simples estar lado a lado, do riso da piada sem graça, do cheiro dos cozinhados quando folheamos um livro.
Podemos ter saudade ou falta do regressar a casa onde um abraço nos espera.
Podemos ter saudade ou falta das discussões sem razão e de fazer as pazes.
Podemos ter saudade da falta da galhofa entre amigos, dos copos intermináveis, das conversas ocasionais, das tertúlias sobre o sentido da vida, das conclusões sem nexo.

Mas não nos sentimos sós.
Temos isso tudo à distância de uma porta, de uma janela, de um simples atender de uma chamada.

É boa a solidão sem nos sentirmos sós.
É o nosso tempo, o nosso espaço.
É a nossa redoma intransponível, defendida a custo e com o gosto da vitória.

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