05/01/09

o amor é?

Hoje, como ontem e de certo amanhã, sei que já amei nestes anos que já vivi.

Muitos se perguntam o que é o Amor; muitos não sabem responder. Fala a experiência própria que só nos damos conta do que já tivemos depois de o perdermos. Pois é.

Também chegamos à conclusão que o Amor não é uma praia e uma cabana – pode fazer parte de um ou mais momentos no seio do Amor, mas o Amor não é isso.

Também não é a satisfação imediata, o virar da esquina e Voilá! – a mulher da nossa vida. Felizes aqueles que porventura tal lhes aconteceu, tal realização de Hollywood, de guião na mão, com diálogos pensados e escritos até à exaustão, na procura da perfeição mascarada sob as luzes das câmaras.

Também não são as prendas atrás de prendas, compradas com o vil metal, sinónimo de grandeza e altivez. O vil metal ajuda, mas não compra (jamais) o amor.

Ainda existem perdidos nas prateleiras das (boas) livrarias exemplares da colecção do Mordillo – O amor é…. Esboços sem história que contam nos traços os momentos aos quais podemos chamar Amor. O ridículo levado ao extremo que provoca a quem folheia um sorriso instantâneo, um êxtase no olhar. Mas que acaba no fechar do livro. Não podemos mergulhar no livro e fazer dele a realidade.

Então, o Amor é?

Não sou letrado na ciência do Amor (se é que existe).
Ele passou(-se) por aqui, de tempos em tempos. Bateu à porta. Umas vezes abri, outras nem uma nesga de luz deixei passar. Outras fui eu bater à porta, na espera constante e atenta de escutar uma voz no outro lado.

Mas passou e deixou marcas. Marcas espalhadas por tudo que é sítio.

Marcas nas horas em silêncio, partilhado a dois, no folhear do jornal ou no desbravar ávido de páginas e páginas de um livro novo.

Marcas no dobrar da roupa apanhada no estendal, com cheiro a novo, limpo, a carinho.

Marcas no dar das mãos, sem quês nem porquês. No entrelaçar dos dedos, na descoberta contínua de mais um sulco na palma da mão.

Marcas nas conversas intermináveis, pela noite dentro, onde os temas se encavalitavam uns nos outros, na escuta atenta das doces palavras.

Marcas nas discussões acesas, cheias de razão e motivação, onde a esgrima pela certeza estava presente. E no sentido da razão que vinha ao de cima, depois de esgravatadas e partidas todas as pedras da calçada.

Marcas na partilha do saber, da confiança, do ser.

Marcas no cheiro dos lençóis, esconderijo dos mais íntimos dos segredos, dos mais íntimos cheiros, do mais íntimo prazer partilhado a dois.

Marcas nas vozes apaixonadas ao telefone, sussurrando saudade e desejo, escutando.

Marcas nos meus, teus, nossos problemas. Nas soluções, previsões.

Marcas nas lágrimas da tristeza, que escorrendo nas faces ternas, apagavam o fogo da desilusão.

Marcas nas palavras pensadas e não ditas e tantas vezes omitidas.

O Amor é!
Marca de passagem de uma alma em outra, onde em tempos de duas se fizeram Uma.

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