15/03/09

alma de desejo

A beleza de uma mulher não está únicamente nos seus atributos físicos. Eles também fazem parte do todo. A beleza está nas coisas simples, no olhar, nas linhas curvas que desenham o corpo. Apreciar uma mulher anónima é saber observar com olhos de ver. Mas sem ferir, sem invadir. Apreciar a beleza externa. Não cobiçar, não querer.

Quando temos o raro prazer de ter ao nosso lado uma mulher bonita, sensual, e com ela podermos partilhar todos os nossos olhares, os nossos desejos, porque existe relação e sentimento para tal, então não existem barreiras, intromissões, invasões. É ela o “objecto” do nosso desejo, do nosso prazer. Aliado ao sentimento sincero do amor, extravazam aqueles sentimentos que habitam cá dentro. Se dia após dia o nosso olhar está carregado de carinho, amor, atenção, outros há em que o nosso olhar extravaza desejo, volúpia, prazer sensual.

Numa relação existe sentimento, amor, aquela vontade imensa de querer estar, partilhar, falar, escutar. Mas também existe aliado o desejo, o rasgo impaciente do agarrar, abraçar, beijar. Sentir o corpo quente junto ao nosso, o respirar junto ao pescoço, o beijo interminável com sabor intímo. Não existem momentos definidos para esses rasgos. Aparecem quando menos se espera. Não têm local nem hora marcada. É bom senti-los, muito bom. E partilhá-los. Fazer sentir o outro lado que eles existem, estão cá. Que naquele olhar ao apreciar um decote está o apreciar da beleza, mas também o imaginário de saber o que esse decote esconde. Materializar o que se aprecia. E transmitir no olhar o que vai cá dentro. Numa relação, isso não é invadir. Não é magoar. Não é reduzir tudo a termos físicos.

É uma demonstração, como muitas outras, de amor. De desejar e ser desejado. De não acabar o que foi começado.

Texto recuperado de escritas anteriores.

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