08/03/09

uma rosa

Hoje uma rosa ficou pelo caminho. Forte, resistente, banhada em água, aguenta a espera solitária e suspira. Aguenta a espera de ser arrebatada. Suspira que a levem longe para perto do coração.
Continua altiva, alimentada pela água onde poisa. E irá durar, sobreviver. Até não poder mais. Pétala a pétala, será abandonada. Vergar-se-á ao destino que lhe está destinado.

Há muito que uma rosa não habitava esta casa, aliás, nunca nenhuma habitou. Tinham entrada banida, fechada a sete chaves. E a(s) chave(s) deitadas fora. Hoje, talvez sem razão ou com toda ela, atravessou o tapete vermelho. Num gesto simples, sem muito pensamento, mas com todo o sentimento.

Dizem que os actos mais bonitos são aqueles mais simples, que traduzem o que nos vai na alma e coração sem porquês ou ses. Aqueles que nos traem a razão, nos deitam por terra as defesas intermináveis que erguemos. E aqueles que mais dificuldade temos em transmitir. Somos apanhados com a guarda em baixo, indefesos perante a tempestade que nos assola.

Que esta rosa, tal como eu, aviste porto seguro no meio da tempestade.


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