26/08/09

alma de aprender a desligar

Quantos de nós não sabemos desligar ao final de um dia de trabalho? Quantos de nós levamos o trabalho connosco para onde quer que vamos, depois de um final de dia de trabalho? Realmente passamos imensas (demasiadas) horas no trabalho e quando damos conta, estivemos a desprezar o nosso tempo, aquele que é nosso, de mais ninguém. Bem sei que todos nós, além do trabalho, temos família, uma casa de família onde regressar, imensas outras coisas para fazer, tudo e mais alguma coisa. E entramos na rotina, todos os dias a mesma coisa, sempre a aguardar o final da semana, aquele tempo de ócio onde às vezes nem sabemos o que fazer com o tempo todo à disposição.
Mas há alturas em que temos que conseguir desligar, fazer "o desmame" do dia cheio de preocupações, de solicitações, de contas de somar e subtrair, dos telefonemas (dos) chatos, das perguntas a responder, das pequenas vitórias, das lamentações, dos objectivos, etc, etc, etc....
A mim era-me difícil, assumo. A entrega ao trabalho era de tal forma, que não o vivia, fazia-o integrante da minha vida 24 horas. Viver em função do trabalho, viver para o trabalho. O resto vinha depois, caso houvesse tempo.


Erro crasso!

Depois de assumir que realmente é verdade que "ninguém é insubstituível", depois de chegar à conclusão que o mundo não pára sem a minha presença e, acima de tudo, consciencializar-me que eu sou importante e que não preciso do trabalho para o ser, decidi enfrentar o desafio de conseguir aprender a desligar.
Desligar e ter tempo para mim, sem mais ninguém. Porque há quem pense que todo o tempo disponível tem que ser partilhado com os outros, seja quem for.
Há que ser egoísta, gostar muito de si próprio e usar esse tempo. Com conta, peso e medida. Há que pensar "para dentro", há que rever o passado recente, há que pensar em nós, sem trabalho, sem os outros.
O nosso mundo é tão grande e temos sempre muito a descobrir dentro de nós. Muitas vezes viramos a cara e não queremos saber.
Partilho convosco: queiram sempre saber mais de vós próprios. É um caminho de descoberta, com mais ou menos obstáculos, um caminho do conhecimento.

Somos tanto cá dentro que nem nos apercebemos. E quanto mais nos conhecemos, mais gostamos de nós.

Vá, tirem um tempo, desliguem, pensem.
E se for com um fino e um prato de tremoços, ainda melhor.


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