23/08/09

alma de querer

Não sei o que te vai na alma. Não conheço o teu pássaro da alma. Nem quero conhecer, é teu.
As tuas gavetas são tuas, só tu as conheces.
Sei que não quero ser mais uma gaveta na tua alma. Não quero ser uma recordação, um momento, uma saudade.



Quero ser a realidade, o momento em si só, a vivência. Quero fazer parte, quero ser parte. Quero fazer a diferença, quero ser saudade perpétua, não uma saudade esquecida.
Quero estar presente, quando assim me quiseres. Quero estar, fazer parte, ser algo que acrescenta, que traz valor.
Quero ser razão de pensamento, de vontade de ter, de vontade de rever.

Quero ser razão de pensar, razão de sentir.
Quero ser razão de respeito, pelo respeito que te tenho.



Quero ser uma pedra no castelo que vais construir, não mais uma pedra, mas uma pedra. Não a mais importante, mas que seja importante para ti.


Quero que vejas a minha alma, porque eu quero partilhá-la contigo.

2 comentários:

  1. Intimidade

    "As nossas coisas são o nosso convívio verdadeiro.
    Uma camisa adere à nossa vida entranhadamente,
    como o carinho mais cruel ou como um nome, e sabe mais de nós que a confissão mais funda.
    Um lápis é sempre um sexto dedo,
    e é íntimo como a língua este cigarro.
    As nossas coisas nos vêem, cheiram, sabem, gostam,
    e sofrem-nos pacientemente como somos, em nossas de carne e osso tristonhas intimidades.
    Não são nós, mas, de nós tão saturadas, são-nos indefinido lado, outras vozes, outros olhos, nossos, que com a nossa presença crua se comovem,
    contemplam e compreendem, e de só se calam."

    (Abgar Renault)

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  2. Obrigado pela partilha do texto.

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